Acne fúngica: Saiba o que é e como tratar

Acne fúngica: Saiba o que é e como tratar

Você já passou pela situação de tratar uma acne persistente com os produtos tradicionais, mas não observar nenhuma melhora? Pior ainda, notar que as lesões coçam intensamente, especialmente em dias quentes? Se a resposta for sim, você pode não estar lidando com a acne comum, mas sim com uma condição dermatológica específica conhecida popularmente como acne fúngica.

Embora o termo sugira uma variação da acne tradicional, biologicamente estamos falando de processos completamente diferentes. Confundir as duas condições é o erro número um que impede a cura, levando muitas vezes ao uso de antibióticos que podem, ironicamente, agravar o quadro fúngico.

Neste blog post, você aprenderá a diferenciar a foliculite fúngica da acne bacteriana, entenderá por que o fungo Malassezia se prolifera na pele e descobrirá quais ativos dermatológicos, como Ácido Salicílico e Niacinamida, são essenciais para recuperar a saúde e a textura da sua pele.

O que é acne fúngica?

O termo "acne fúngica" é, na verdade, um nome impróprio popularizado pela internet e mídias sociais. O termo médico correto para esta condição é Foliculite Ptirospórica ou Foliculite por Malassezia.

Diferente da acne vulgar (a acne comum), que é causada principalmente pela bactéria Cutibacterium acnes, a acne fúngica é uma infecção dos folículos pilosos causada por um fungo do gênero Malassezia.

É importante notar que esse fungo é um habitante natural da flora cutânea de quase todos os adultos. Ela vive na nossa pele se alimentando dos lipídios (oleosidade) que produzimos. O problema surge quando há um desequilíbrio no microbioma da pele, levando a um supercrescimento dessa levedura. Quando ela se multiplica excessivamente dentro do folículo piloso, gera uma resposta inflamatória que resulta nas famosas "bolinhas" que confundimos com espinhas.

Acne Comum vs. Acne Fúngica: Qual a Diferença?

Saber diferenciar as duas condições é vital para escolher o tratamento para acne fúngica correto. Embora visualmente parecidas à primeira vista, elas possuem características clínicas distintas.

1. A Causa

  • Acne Comum (Bacteriana): Envolve excesso de sebo, hiperqueratinização (poros entupidos) e a bactéria C. acnes.

  • Acne Fúngica: É uma infecção fúngica oportunista. O fungo Malassezia invade o folículo, muitas vezes sem a presença de comedões (cravos) iniciais.

2. A Aparência das Lesões

  • Acne Comum: As lesões variam muito de tamanho e forma (polimórficas). Você pode ter cravos pretos, cravos brancos, pápulas inflamadas e cistos profundos ao mesmo tempo.

  • Acne Fúngica: As lesões são monomórficas, ou seja, todas têm o mesmo tamanho e aparência. Geralmente são pequenas pápulas vermelhas (bolinhas) agrupadas em grande quantidade. Raramente apresentam "cabeça" de pus clássica como a espinha comum.

3. O Sintoma Chave: Coceira

Este é o grande divisor de águas.

  • Acne Comum: Pode doer se estiver inflamada, mas raramente coça.

  • Acne Fúngica: A coceira na pele (prurido) é intensa e frequente, sendo o principal sinal de alerta. Muitas vezes, a coceira piora com o calor ou suor.

4. Localização

  • Acne Comum: Frequente na "Zona T" do rosto.

  • Acne Fúngica: Comum na testa, linha do cabelo, mandíbula, e muito frequentemente no colo (peito), ombros e costas.

O que causa a proliferação do fungo na pele?

Se o fungo já vive na pele, por que ele ataca de repente? A foliculite fúngica é uma condição oportunista que aproveita certas condições para "florescer".

Calor e Umidade

O fungo Malassezia ama ambientes quentes e úmidos. Viver em climas tropicais, suar excessivamente (hiperidrose) ou usar roupas de tecidos sintéticos que não deixam a pele respirar são gatilhos clássicos.

Uso de Antibióticos

O uso prolongado de antibióticos (seja para acne comum ou outras doenças) mata as bactérias boas da pele. Sem as bactérias para competir por alimento e espaço, o fungo encontra o terreno livre para se multiplicar descontroladamente.

Imunidade e Doenças Associadas

Pessoas com imunidade comprometida, diabetes ou condições como a dermatite seborreica (caspa), que também é causada pela Malassezia, têm maior predisposição a desenvolver sintomas da acne fúngica.

Como posso saber se tenho acne fúngica? 

O autodiagnóstico pode ser perigoso. Se você tem lesões avermelhadas com descamação que coçam e não respondem aos tratamentos tradicionais de acne, é hora de procurar um médico dermatologista.

O profissional poderá realizar uma avaliação clínica e, se necessário, uma raspagem da lesão para análise microscópica ou uso da Lâmpada de Wood (uma luz especial que faz o fungo brilhar em uma cor específica), confirmando o diagnóstico de foliculite por Malassezia.

Tratamento e Skincare: Como cuidar da pele com Acne Fúngica

Uma vez diagnosticada, a abordagem muda radicalmente. Esqueça os antibióticos tópicos tradicionais: o foco agora é controlar a população de fungos e restaurar o equilíbrio da pele.

O tratamento para acne fúngica geralmente envolve uma abordagem combinada de medicamentos (prescritos pelo médico) e uma rotina de skincare rigorosa e específica.

1. Limpeza e Controle da Oleosidade

Como o fungo se alimenta de lipídios (gordura), controlar a oleosidade é fundamental. O uso de géis de limpeza para peles oleosas contendo ativos ceratolíticos é o primeiro passo. O Ácido Salicílico e o Sebácico são grandes aliados aqui. Além de serem esfoliantes químicos que desobstrui os poros, eles possuem propriedades anti-inflamatórias e levemente antifúngicas, ajudando a remover o excesso de sebo que serve de alimento para a Malassezia.

2. O Poder dos Alfa-Hidroxiácidos (AHAs)

Fungos não gostam de ambientes ácidos. Incorporar ácido glicólico ou ácido mandélico na rotina noturna ajuda a regular o pH da pele, tornando-o inóspito para o fungo. Além disso, esses ácidos promovem a renovação celular, removendo as células mortas e clareando as manchas deixadas pelas lesões.

3. Niacinamida: O Coringa do Equilíbrio

Muitos tratamentos antifúngicos podem ressecar a pele. É aqui que entra a Niacinamida (Vitamina B3). O uso de um sérum com niacinamida pela manhã é altamente recomendado. Ela atua em três frentes:

  1. Regula a produção de sebo: Tirando o "alimento" do fungo sem ressecar.

  2. Fortalece a barreira cutânea: Uma pele íntegra se defende melhor de infecções.

  3. Ação Clareadora: Ajuda a uniformizar o tom da pele, tratando as marcas pós-inflamatórias.

4. Hidratação "Fungal Acne Safe"

Um erro comum é parar de hidratar. A pele precisa de água, não de óleo. Opte por hidratantes em gel ou séruns oil-free (livres de óleo), evitando produtos com ésteres pesados, óleos vegetais densos (como óleo de coco) ou ácidos graxos que possam alimentar o fungo.

5. Zinco PCA: Controle Seborregulador

O Zinco PCA é indispensável para reduzir a oleosidade excessiva, retirando o "alimento" do fungo. Com ação seborreguladora e antimicrobiana, ele ajuda a manter os poros limpos, controla o brilho e purifica a pele, sendo um grande aliado no tratamento para acne fúngica.

O que evitar na sua rotina?

Para garantir o sucesso do tratamento e como acabar com a acne fúngica de vez, alguns hábitos precisam ser revistos:

  • Evite Roupas Suadas: Após o exercício físico, tome banho imediatamente. Ficar com a roupa de ginástica úmida é o cenário perfeito para a proliferação fúngica nas costas e colo.

  • Cuidado com a Exfoliação Física: Esfregar a pele com buchas ou esfoliantes granulados pode irritar os folículos e espalhar a infecção. Prefira a esfoliação química (ácidos).

  • Não use Antibióticos por conta própria: Como vimos, isso pode piorar o quadro drasticamente.

Diagnóstico Preciso é o Caminho para a Pele Limpa

Lidar com a acne fúngica pode ser frustrante, principalmente quando ela é confundida com a acne vulgar. As lesões avermelhadas e a coceira impactam a qualidade de vida, mas a boa notícia é que, com o diagnóstico correto, a resposta ao tratamento costuma ser rápida e eficaz.

Entender que nem toda "bolinha" é igual é o primeiro passo. Ao substituir produtos comedogênicos por uma rotina de limpeza profunda com Ácido Salicílico, Zinco PCA, renovação com AHAs e proteção com Niacinamida, você cria um ambiente onde a pele prospera e o fungo não. Lembre-se: a saúde da sua pele depende de equilíbrio. Consulte seu dermatologista para um plano personalizado e mantenha a constância nos cuidados diários.

Referências Científicas

Texto por: Dr. Maurizio Pupo, farmacêutico e especialista em cosmetologia e Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Ada Tina. CRF-SP: 13.328

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Dr. Maurizio Pupo

Sobre o autor

Autor de vários livros na área cosmética como: Tratado de Fotoproteção, Luz Azul | Luz Visível e Impactos na Dermatologia, DIFENDIOX® OPP’s Antioxidantes Biologicamente Ativos e Estabilizados em Sistema Hydromicelar, entre outros. É o diretor responsável pelo desenvolvimento dos produtos marca de dermocosméticos ADA TINA.